After all these years
Que então olhou e então percebeu e então cantou.
Que então notou uma flor brotando dentro do seu corpo infantil, do seu riso infantil, da sua mente infantil, que então se foi…
Que então virou silêncio preso em suas paredes amargas.
E então viveu, então desejou retratos, então desejou cores e despejos esverdeados.
Papel, caneta, cores e retratos.
Cidade pacata, cidade cinzenta, cidade nublada. E ela pensa: por qualquer lugar ainda vai estar, por qualquer lugar ainda assim será, ainda aqui será.
Silêncio amargo gritando n’alma, silêncio bonito que esconde as cores que tanto despeja em folhas desnudas.
Que então entendeu do mundo. Poesias sem rimas da sua forma estranha, palavras loucas, loucas, loucas tentando encontrar o lugar.
Verdade fica presa na garganta. Você precisa gritar ao mundo e você só ahn, ahn, ahn…
É hora de tentar, um dia correr o risco, cores encontrar o céu. Abrir os braços e gritar.
Humm…
Céu bonito, pôr-do-sol, chuva de pedras fazendo estrondo quando tocam o chão que reflete o azul do céu, ah céu!
Alcançar, segurar as mãos com carinho. Pôr-do-sol distante. Alcançar. Estender a mão e dizer…
Melodia ecoa na cidade pacata, borboletas brancas voam ao som da música e ela faz um pedido…
Mãos estendidas.
Cidade pacata, cidade cinzenta, cidade nublada, agora aliviada.
Liberdade às palavras cheias da verdade.
E ela espera então, enfim.
Ilustração por Luana Guerra
Texto por Fran Correa

